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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Dinâmicas


Introdução

A dinâmica promove a participação

     A dinâmica de grupo constitui um valioso instrumento educacional que pode ser utilizado para trabalhar o ensino-aprendizagem quando opta-se por uma concepção de educação que valoriza tanto a teoria como a prática e considera todos os envolvidos neste processo como sujeitos.

     A opção pelo trabalho com dinâmica de grupo permite que as pessoas envolvidas passem por um processo de ensino-aprendizagem onde o trabalho coletivo é colocado como um caminho para se interferir na realidade, modificando-a. Isso porque a experiência do trabalho com dinâmica promove o encontro de pessoas onde o saber é construído junto, em grupo.

     Logo, esse conhecimento deixa de ser individualizado e passa a ser de todos, coletivizado. Ainda tem a qualidade de ser um saber que ocorre quando a pessoa está envolvida integralmente (afetivamente e intelectualmente) em uma atividade, onde é desafiada a analisar criticamente o grupo e a si mesma, a elaborar coletivamente um saber e tentar aplicar seus resultados.

     É importante ressaltar que faz parte desse processo a garantia da participação constante de todos os participantes. Só assim todos se sentirão donos do saber alcançado.


Ferramenta importante

     A importância da dinâmica no processo coletivo do ensino-aprendizagem não deve ser, no entanto, absolutizada ou subestimada. Sua utilização deve responder a objetivos específicos de uma determinada estratégia educativa, no sentido de estimular a produção do conhecimento e a recriação deste conhecimento tanto no grupo/coletivo quanto no indivíduo/singular, uma vez que a técnica da dinâmica não é um fim, mas um meio - é uma ferramenta a ser usada.

     Ao optar pelo uso da técnica de dinâmica de grupo você poderá, através de jogos, brincadeiras, dramatizações, técnicas participativas, oficinas vivenciais e um ambiente descontraído, discutir temas complexos, polêmicos e até estimular que sejam externados conflitos (do indivíduo e do grupo), buscando estimular os participantes a alcançar uma melhoria qualitativa na percepção de si mesmo e do mundo e, conseqüentemente, nas relações estabelecidas consigo mesmo, com o outro e com o mundo.

     Enfim, Dinâmica de Grupo é um caminho para educar junto!


Recomendações

     Para o trabalho com dinâmica ter um desenvolvimento pleno, é recomendável que os grupos tenham, no máximo, 20 participantes. Isto porém não impossibilita que se faça o uso dessa metodologia educacional em grupos maiores, em congressos, em seminários e outros.

     Orientamos que nestes casos o coordenador divida o plenário em subgrupos para o desenvolvimento dos trabalhos e reúna o grupão nos momentos de socialização e de síntese.

     Outros recursos que podem ser utilizados em grupos grandes são o retroprojetor, vídeo, exposições dialogadas, além de técnicas de teatro, tarjetas e cartazes.

     Em todo início de atividade (encontro) deve ser feito o “Contrato do Grupo”. Trata-se de uma discussão da pauta proposta, definição de normas internas do grupo, formação de equipes de trabalho e distribuição de tarefas. Quando se tratar de uma atividade menor, um debate por exemplo, deve-se definir com o grupo o horário de terminar a atividade, o que será possível realizar, o que já foi preestabelecido, o objetivo da atividade e a metodologia de abordagem.


Questões para Debate

1 - Que importância o grupo dá para o uso de dinâmicas?
2 - Por que as dinâmicas facilitam o trabalho coletivo e superam o individualismo?
3 - O que o grupo pode fazer para aproveitar melhor as dinâmicas?


Susan Chiode Perpétuo e Ana Maria Gonçalves,
autoras do livro “Dinâmicas de Grupos na formação de lideranças”.
Artigo publicado na edição 303, fevereiro de 2000, página 2.

Educar através da produção de imagens



     O uso das novas tecnologias na educação tem sido amplamente discutido. Mas o assunto permanece no campo do debate e pouco ou nada avançou dentro de uma política global na educação. Programas nesta área restringem-se a colocar computadores nas escolas.

     “Fazer filmes. Às vezes não deveria ser nada mais do que um hábito, como passear, ler o jornal, fazer anotações ou dirigir um carro.”
Wim Wenders, cineasta alemão

     No começo do século passado, o pintor e fotógrafo húngaro Laszlo Moholy-Nagy (1895-1946) dizia que no futuro não seriam considerados analfabetos apenas os que não soubessem ler, mas também quem não entendesse o funcionamento de uma máquina fotográfica. Hoje, no século 21, poderíamos dizer que também é analfabeto, aquele que não entender o funcionamento da mídia. Desde que surgiu a fotografia, se faz necessário que aluno compreenda também essa linguagem, como a do cinema e da televisão.

Além da sala de aula

     Ver filmes e analisá-los com os alunos não pode ser o único caminho. É preciso motivar os estudantes a produzir filmes. Dentro dessa proposta é que surgiu em 2002, na cidade de Guaíba, RS, o Festival de Vídeo Estudantil e Mostra de Cinema. O evento busca mostrar experiências e promover amplo debate sobre o assunto. A primeira edição abriu espaço de trabalhos realizados por estudantes do Instituto Estadual de Educação Gomes Jardim. Os trabalhos que se destacaram receberam o Troféu Gomezito, alusivo ao Cipreste Farroupilha, símbolo de Guaíba e Patrimônio Cultural do RS. Hoje, já na sua sétima edição, o evento vem sendo considerado uma referência no Brasil nesta área. Percebe-se que os trabalhos realizados nas escolas, envolvendo o uso do vídeo, da mídia, permanecem basicamente no âmbito da sala de aula. O festival de Guaíba tem proporcionado que produções tenham uma abrangência maior, integrando excelentes experiências do Brasil e até do exterior.

     Vivemos na era da imagem. Precisamos alfabetizar o aluno também nesse contexto para que saiba analisar criticamente um programa de tv, um filme, uma fotografia, a reportagem de um jornal e até a internet. Quem já pegou uma câmera na mão e fez seu vídeo, por exemplo, passa a ter um novo olhar em relação ao cinema e à tv. As novas tecnologias, até mesmo o celular, tão combatido nas escolas, podem transformar-se em ótimos instrumentos a serviço da educação.

     A mídia está aí, ela não pode ser apenas crucificada, como sendo o grande mal da sociedade que cria necessidades, que torna as pessoas passivas e aliena. Ela é tudo isso e muito mais. É preciso aprender a conviver com ela e formar pessoas com um olhar crítico. Todos sabem do seu poder e que, como diz Leopoldo Zea, a mídia vai “como gotas de água que não páram de pingar sobre uma pedra - por mais dura que ela seja - penetrando os ouvintes, os telespectadores, até conformá-los a seus interesses. Um duplo instrumento educativo, presente em todas as nossas casas, mesmo as mais humildes, que vai criando, talvez sem que nos demos conta, um determinado tipo de homem”. Assim, a escola não pode ser mero reprodutor e sim estimular o aluno a criar e buscar novos conhecimentos, apropriando-se das novas tecnologias. Espera-se que os programas de informática nas escolas possam agregar filmadoras e máquinas fotográficas e a alfabetização da imagem possa ser conteúdo nas escolas.

Valmir Michelon,
professor de Filosofia, jornalista e fotógrafo.
Idealizador do Festival de Vídeo Estudantil, de Guaíba, RS.
Endereço eletrônico: michelonfolha@pop.com.br
Artigo publicado na edição nº 390, jornal Mundo Jovem, setembro de 2008, página 21.

Regrinhas para sala de aula e meio ambiente


O ambiente que temos e o ambiente que queremos

A educação ambiental deve estar presente de forma interdisciplinar em todo o currículo escolar. Assim poderá atingir todos os cidadãos por meio de um processo pedagógico participativo, que procure construir no educando uma visão crítica sobre as questões ambientais.

     É notória a progressiva degradação ambiental que favorece o esgotamento das reservas naturais e dos recursos não renováveis. Diante desta problemática, deve-se promover a formação de conhecimento, de atitudes e de habilidades necessárias à preservação e melhoria de qualidade ambiental. Este projeto visa a envolver toda a comunidade para debater as questões socioambientais, buscando estratégias para diminuir as agressões ao meio em que vivemos, bem como desenvolver ações que contribuam para a melhoria de vida na comunidade e na escola.

Acontecendo na prática

     Em princípio, o tema foi explorado em sala de aula, por meio de leitura e pesquisa, produções textuais, exibição de documentários, aulas expositivas dialógicas, discussões e debates. Após esta etapa, iniciamos as atividades práticas, quando foram feitas oficinas para produção de objetos reciclados, painéis educativos, pinturas no muro da escola, trabalhos utilizando o papel reciclado, maquetes com o tema “o ambiente que temos e o ambiente que queremos” e confecção de um jornal ecológico, registrando os efeitos positivos, as soluções criativas, mensagens e dicas.

     A organização da escola foi um processo fundamental: com latas específicas para a separação de lixo seco e orgânico, cartazes e placas indicando ações, como “não jogue lixo no chão”, “poupe água” etc.

     Ao final do projeto houve exposições com as obras de arte dos alunos, em que os pais puderam visitar os estandes, conhecer a reciclagem e participar das palestras, recebendo ainda lembranças recicladas produzidas pelos próprios alunos.

Avaliação do projeto

     Percebemos a conscientização dos alunos no que se refere à coleta seletiva do lixo e à própria limpeza do ambiente escolar. Também fizeram inúmeros trabalhos reciclados, foi construído um sofá com garrafas PET. Grande parte do pátio escolar foi tomado pelas maquetes que produziram, mostrando o ambiente que eles tinham e o que sonhavam. A horta na escola é uma experiência que vem dando certo em muitas instituições. Na nossa não foi possível devido ao espaço não ter sido propício. Mas houve o plantio de algumas árvores nas mediações da escola. É perceptível a conscientização dos nossos alunos, mas resultados ainda maiores teremos a longo prazo.


Ficha técnica

Local de realização: Colégio Estadual de Urandi, BA.

Duração: seis meses.

Componentes curriculares envolvidos: todas as disciplinas se envolveram. Houve algumas reuniões onde discutimos ideias e sugestões. Houve articulação da professora responsável.

Turmas atendidas: ensino fundamental e médio.

Objetivos:
• promover e discutir a importância da educação ambiental na escola, garantindo aos alunos e a toda a comunidade escolar a conscientização e formação de atitudes para a modificação de práticas nocivas ao meio ambiente;
• desenvolver valores, atitudes e posturas éticas;
• perceber como os problemas causados pela poluição atingem diretamente a sociedade;
• sensibilizar e capacitar os alunos como agentes multiplicadores dos princípios de reaproveitamento e reciclagem de papel, de modo a estimular a preservação e conservação dos recursos naturais;
• mobilizar os alunos e a comunidade sobre a responsabilidade de todos para a modificação de atitudes nocivas ao meio ambiente;
• promover a reutilização e a reciclagem do papel descartado na unidade escolar;
• desenvolver ações práticas de coleta seletiva do lixo como forma de educar e mudar comportamentos.

Atividades para diferentes disciplinas

Língua Portuguesa: trabalho de conscientização e concurso das melhores frases educativas para exposição em todo o colégio. Confecção de jornal escolar ecológico.
Matemática: trabalhar com estatística, tabelas e gráficos relacionados com dados ambientais.
Ciências: conhecer as plantas e diferenciá-las em relação aos tipos comestíveis, medicinais, as que servem para fornecer madeira, entre outros. Colecionar os diversos tipos de folhas, estudar suas diferenças, ensinar a desidratar as folhas e flores, e com elas formar pequenos quadros.
Biologia: criação da horta da escola.
Química e Física: fazer o reaproveitamento do lixo orgânico.
Educação Artística e Artes: produção de objetos reciclados para exposição. Produção de trabalho com o papel reciclado.
Geografia: confecção de maquetes, orientar um debate sobre questões (desmatamento e queimadas, efeito estufa, pesca predatória, aquecimento global).
Filosofia e Sociologia: pesquisas e produções de textos, realizar trabalhos que relacionem a devastação ambiental à lógica do capitalismo, trabalhar valores e comportamentos.














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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

AINDA LEMBRAMÇAS

     Promover a paz tornou-se uma condição de sobrevivência. Se continuarmos com essa sociedade de competição, de liberdade só para quem tem poder e dinheiro, de produção de miséria, certamente caminharemos acelerados  para a destruição mútua e geral.
     O primeiro dia de aula pode significar uma nova esperança, com uma nova atitude.
Receita da Paz
Ingredientes:
Junte união, consciência, solidariedade, justiça, verdade, valor, consenso, cultura, educação, confiança, respeito, humildade, harmonia, credibilidade, amor, sabedoria, fé, benevolência, acordo, perdão, fraternidade, setimento, esperança, contribuição, espiritualidade, ação, mobilização, igualdade, liberdade, alternativas, compreensão, transformação, objetivo, dignidade e partilha.

Como fazer?
Põe tudo isso em seu coração e na sua mente. Leve ao mundo inteiro. Em seguida, retransmita tudo à humanidade a fim de que todos os povos da Terra aprendam a fazer essa receita para que a paz reine no planeta. A paz é um fruto do espírito do Senhor, o Deus da Paz, e só pode ser obtida por aqueles que estão em paz com Ele.

Reginaldo Francisco de Oliveira, São Julião, PI.




Mensagens
Por que as pessoas gritam?

     Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado? - Questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar:
- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
- Vocês sabem por que se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito.
Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente.
Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.
Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas?
Elas não gritam. Falam suavemente.
E por quê?
Porque seus corações estão muito perto.
A distância entre elas é pequena.
Às vezes estão tão próximos seus corações que nem falam, somente sussurram.
E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta.
Seus corações se entendem.
É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.
Por fim, o pensador conclui, dizendo:
"Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta".

Mahatma Gandhi





LEMBRANÇAS

     A Declaração Universa dos Direitos Humanos foi aprovada no dia 10 de dezembro de 1948. Depois da Segunda Guerra Mundial, contabilizando as mortes inocentes, os escombros, as destruições inúteis, soou um momento de sensibilidade na absoluta maioria dos representantes das nações.
     Depois de 60 anos, porém, a desigualdade teima em se perpetuar; as armas e o poder econômico são os argumentos para impor determinado jeito de pensar e viver; e os meios de comunicação, em geral, nos querem fazer crer que Direitos Humanos é defesa dos “bandidos”... Ainda precisamos muita indignação para não nos acostumar com a injustiça.
      Por que não podemos sonhar com a possibilidade de que todos os humanos sejam tratados segundo sua dignidade?

Conhecimento

Compartilhe informações
O estudo é a energia
Não deixe para amanhã
Hoje sempre é o melhor dia.
Estude regularmente
Conheça novos caminhos
Inteligência todo mundo tem
Mas conhecimento não se faz sozinho.
Elimine coisas inúteis
Nunca pare de aprender
Tudo isso é conhecimento
O grande mestre do saber.
A escola
 

Educação

Escola, educação
O que podemos pensar...
Ela tem grande importância
Precisamos acreditar. Hoje uma preocupação
Surgiu, me pus a pensar
O que eles pensam da vida
Quando não querem estudar?
O jovem meio perdido?
A escola a não se encontrar?
Nem encontrá-lo
Será que vamos desmoronar?
Não sei, não pode, não deve
Mas, o que se deve fazer
Pensar, usar a criatividade
O que ele precisa aprender?
Acorda Brasil, acorda!
Nenhum de nós quer morrer
Sabe-se que um povo sem cultura,
Chega a desaparecer!
Essa luta é de todos:
Professor, aluno e seus pais
Mesmo com dificuldades
Desistir, desesperar, jamais!!!


de Rosângela Maria Silva
João Câmara - RN - por correio eletrônico
Um Grito Parado No Ar
Toquinho

Quem souber de alguma coisa
Venha logo me avisar.
Sei que há um céu sobre essa chuva
E um grito parado no ar.


Para conversar:
- Qual a importância dos movimentos sociais na defesa de direitos básicos como moradia, terra, trabalho, educação etc.? Por que esses movimentos continuam sendo reprimidos e criminalizados, tratados como caso de polícia? A quem isso interessa?

- Que outros movimentos conhecemos que estão conquistando espaço e adesão das pessoas? Como os jovens vêm se mobilizando hoje para participar destes movimentos?
http://www.youtube.com/watch?v=dRxjkBoAVJM&feature=colike


De onde brota a dignidade?

     Direitos Humanos é uma idéia nascida da consciência e da necessidade de preservar a vida e tudo o que nela está imbricado. No entanto, ao longo dos tempos, este conceito foi assimilado culturalmente como se os portadores destes direitos fossem sempre os outros, aqueles que estão numa situação de extrema indignidade. Nunca a gente (eu, você e nós). Faz-se necessário um grande esforço para ressignificar as palavras, lembrando que são os conceitos que dizem o que as coisas são.

     A cultura é formada por todos os valores, as posturas, as atitudes, os costumes, a educação, os conceitos e a construção de identidades que são materializadas no cotidiano. Através de nossa cultura fomos alimentando a ideia de que sempre temos mais deveres a serem cumpridos do que direitos a serem usufruídos. Muitas vezes, ainda, entendeu-se que direitos são privilégios de uma classe social, povo ou nação, em detrimento dos demais. Desta forma, gerou-se um grande distanciamento entre o conceito de dignidade humana e as pessoas, o que leva muitos de nós a não nos sentirmos incluídos quando se fala de direitos humanos.

Ser gente

     A defesa da vida, que também é defesa da dignidade humana, engloba o que a humanidade, através de muita luta e conquista, reconheceu como direitos humanos. O que vem a ser dignidade humana? É difícil definir, mas todos entendemos quando ela falta a alguém (como aquilo que define a própria noção de humanidade, enquanto condições mínimas e básicas para ser gente). Basta olharmos para a nossa realidade cotidiana que facilmente percebemos inúmeras realidades de indignidade.

     Como existem os que lutam pela dignidade alheia, existem os que são violados em seus direitos e existem os que querem reduzir direitos humanos à defesa daqueles que transgrediram regras e leis sociais. Quem luta por seus direitos e pelos direitos dos outros, por sua vez, nem sempre é bem compreendido, porque a defesa da vida humana (da dignidade) exige uma postura firme e radical. Vida e morte não são meio-termos e não nos permitem nunca vacilar, pois todos somos responsáveis pela manutenção da vida, e vida que deve ser vivida na mais absoluta plenitude.

     Mas como criar identidade com direitos humanos? Que tal começar considerando-se a si mesmo como portador de direitos, de liberdade, de dignidade, ao mesmo tempo diferente e igual aos outros. Pois diferenças e semelhanças não são critérios para auferir nossa dignidade. O que temos em comum é o fato de que somos humanos e comungamos das mesmas necessidades. Se me considero portador de direitos humanos, assim devo também considerar meus familiares, meus amigos, aqueles que conheço e aqueles que ainda não conheço, aqueles de quem gosto e até aqueles de quem não gosto. Sim, todos que são humanos, como eu.

Das palavras às ações

     Desconhecemos outra maneira de mudar culturalmente conceitos ou idéias senão pelo caminho da educação. Educação em direitos humanos não é somente um conteúdo a ser ensinado, mas pressupõe, antes de tudo, a vivência de valores e atitudes que cultivem a preservação da vida, das singularidades e das diferenças. Para mudarmos atitudes e conceitos precisamos ser motivados, sensibilizados e estimulados a compreender o ser humano em suas diferentes situações e realidades.

     Acreditamos que ainda temos tempo para a sensibilidade humana. Esperamos que esta mesma sensibilidade, da qual todos somos portadores, gere compromissos solidários para uma incondicional defesa da dignidade de todos. O convite é para transformarmos nossas palavras em ações a favor da humanidade, a que está nos outros e a que está em nós.

     Já dizia Gonzaguinha: “E é tão bonito quando a gente entende que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá. E é tão bonito quando a gente sente que nunca está sozinho por mais que pense estar”.

Questões para debate:

1) Em que situações a dignidade humana não é respeitada?
2) Por que os defensores dos direitos humanos não são compreendidos na sociedade?
3) Como educar e como passar das palavras às ações em direitos humanos?


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